Os positivos e crescentes movimentos que devem balizar qualquer sociedade que tem pretensão a um desenvolvimento consistente (dentre outros: respeito à coisa pública, proteção ao meio-ambiente e segurança no trabalho) traz em sua garupa uma horda de senhores da verdade que, atuando na contra mão dessa tendência evolucionista prejudicam, em muito, todo e qualquer trabalho sério que se pretenda desenvolver.
Particularmente o assunto segurança no trabalho, especificamente no seguimento segurança dos serviços com eletricidade - que nos afeta diretamente - o balanço dos efeitos causados desde dezembro de 2004 quando foi publicada a versão vigente da NR-10 poderia, em nossa avaliação, ser mais positivo.
Se por um lado esta NR tem conseguido através de seus ditames separar o joio do trigo e fazer com que os riscos de acidentes diminuam drasticamente em boa parte do país, o reverso da medalha tem sido cruel.
O citado grupo de profissionais que por desconhecimento, desinteresse, má fé, ou outros sentimentos que sequer merecem ser mencionados, têm se aproveitado para destilar toda sua falta de preparo e arrogância a fim de fazer com que o caminho de transição ao se adentrar pela primeira vez em uma empresa, que deveria ser um processo agradável que incentivasse as pessoas ao aprendizado dos procedimentos e regras locais, tranforme-se em um calvário recheado de regras descabidas e exigências vãs.
Boa parte dos profissionais com habilitação na área de segurança (técnicos, tecnólogos, engenheiros, etc.) vem adotando um comportamento no mínimo prepotente e irresponsavelmente omisso. Muitos deles chegando a interferir em áreas que não são de sua competência técnica sob “o poderoso e onipotente manto da segurança”.
Por inúmeras vezes temos presenciado exigências descabidas em documentos de integração, incompletos diga-se de passagem, emitidos pelos departamentos responsáveis pela segurança do trabalhador nas empresas. Desde a apresentação de certificado do curso básico da NR-10 para um profissional que vai fazer inspeção visual em para-raios (é mais ou menos como pedir super licença de piloto de fórmula 1 para condutor de carrinho de mão) até enxurradas de exames complementares, que muitas vezes servirão apenas para avolumar as pastas dos prontuários das instalações elétricas, estes ainda muito longe de estarem regularizados: acúmulo de papel, gasto de recurso e tempo preciosos.
Essa atitude somente vem demonstrar o quão despreparado está este profissional que, na dúvida do que fazer e para se eximir de responsabilidades, exige tudo o que lhe aparece pela frente ao invés de se informar sobre os procedimentos corretos e exigências pertinentes para a prática da segura e boa engenharia.
Da forma como estava não poderia ficar, mas se não ficarmos atentos e deixarmos que esse pequeno grupo de usurpadores da engenharia tome as rédeas da situação, realmente não teremos mais acidentes com serviços em eletricidade, pois tudo irá parar.
Agradecemos aos amigos J.J. Barrico e Sérgio Bogomoltz que participaram na revisão deste texto.